Em 2005, uma pessoa muito ligada a mim começou a publicar textos em forma de um diário. Transcrevo aqui dois desses textos e um comentário recebido pela mesma como resposta.
DIÁRIO DE MULHER Quinta, 27, out.,2005
A palavra que escrevi outro dia no meu diário foi FRÁGIL – SEXO FRÁGIL. Já escutei tanto esse jargão que em alguns momentos convenci-me inteiramente de minha própria fragilidade, para minutos depois negá-la.
Como sou muito pensativa, reflexiva, curiosa e crítica procurei descobrir onde está a fragilidade das mulheres, a minha própria fragilidade.
Inicialmente, pensei que a origem dela poderia estar na força física, mas quando fui à feira e vi mulheres carregando pesos e outras com crianças pesadas nos ônibus sob solavancos e freadas, quando me lembrei das trouxas de roupas lavadas e passadas ao ferro, do arrasta-arrasta de móveis, do peso de um filhode nove meses ao ventre, desisti de justificar a fragilidade por este caminho.
Aí fui para os choros, os desabafos, as crises existenciais, os desatinos, seria essa a fragilidade da mulher? Comparativamente, o falar muito de si mesma, a ausência de freio nas lágrimas, a exteriorização dos sentimentos, as conversas íntimas que não são às escondidas e a transparência, as tornam mais fortes que os homens. As mulheres conseguem enfrentar as duras realidades sem máscaras, sem negação, sem esconderijos, num contínuo reerguimento dos desamores, frustrações, sofrimentos e indiferenças, e isto é ser muito forte!
Frágil, diante da força de produção? Não! Claro que não!… As mulheres desenvolvem mil e uma atividades, acordam planejando, dormem embaladas por sonhos e projetos de vida, de manhã quando abrem os olhos já estão em pé. O dia inteiro é de atendimento às suas necessidades e dos outros, e com a emancipação que se pensava que seria feminina, mas que acabou sendo puramente masculina, diversificou-se o campo de trabalho tão amplamente que acabou transformando as mulheres em super-heróinas descabeladas.
Então até aí, nada de fragilidade. Talvez ingenuidade, ilusão, tentativa de fuga, mas fragilidade nenhuma.
Continuando a pensar… Fui para os relacionamentos. Continuei minha reflexão sobre os relacionamentos, pois a resposta poderia aí estar – nos relacionamentos. No relacionamento com o mesmo sexo a força expressa na competição, na superação constante uma das outras, nas amizades dissimuladas, na inveja, nos comentários maliciosos, nos olhares maldosos, nisto comecei a encontrar a fragilidade, mas os homens não a têm igual? Não seria essa a fragilidade do próprio ser humano oriundo do afastamento dos valores eternos e superiores?
Prosseguindo, entrei na questão do relacionamento homem e mulher. Ai encontrei mulheres desejosas de aceitação, segurança, companheirismo, com a auto-estima totalmente refém, aceitando serem subjugadas, assumindo parcerias desiguais, querendo ser protegidas, “alimentadas”, acariciadas, acalentadas, afagadas, valorizadas, sentidas e vistas, entregues plenamente ao homem, mesmo às vezes assumindo posições sofrivelmente agressivas. Então, encontrei a fragilidade feminina.
Ela não é assim vista nos homens e alguns, apoderam-se dela perversamente, usando-a para destruição.
Jesus externando amplamente sua preocupação com este assunto, deu conselhos aos homens de como devem tratar sua mulher. Embora o assunto se restrinja à relação matrimonial, pode ser extensivo à relação de namoro e noivado. Ele aconselha através dos escritos de Elen G. White:
“Fazei tudo que estiver em vosso poder para tornar a vida de vossa esposa aprazível e feliz.” “…o marido deve manifestar grande interesse em sua família. Em especial, deve ser muito delicado para com os sentimentos de sua esposa débil” ( O Lar Adventista);
“…Sejam sábios no convívio, tratam-na com honra, como parte mais frágil“( I Pedro 3:7)
“Sejam compassivos, misericordiosos e humildes… bendigam…
…não a tratem com amargura”(Colossenses 3:19)
“…unindo mediante sua afeição devotada, forte, fervente, os membros da família – mãe e filhos nos mais fortes laços de união”;
“Maridos, amai vossas mulheres como Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela” (Efésios 5:25);
“…alimenta e cuida, como Cristo faz com a igreja”;
“Coisa alguma neste mundo é tão preciosa para Deus como a Sua igreja. Coisa alguma é por Ele guardada com tão cioso cuidado” (II TS,381).
Eis o modelo de como tratar a fragilidade feminina!
Bárbara Link
