O Diário de Bárbara Link II

Querido Diário, dez, 08/2005
Uma pergunta: SOLTEIRAS, VIÚVAS, DIVORCIADAS, DESQUITADAS OU DESASSOCIADAS?

Fui ao banco hoje e a fila estava enorme. Após vários minutos de espera, tentando administrar minha indignação pela falta de cumprimento à lei, me detive na conversa entre duas mulheres, procurando interessar-me por algo para amenizar meu tédio. Pareceu-me que uma fazia companhia a outra. Falavam de relacionamento conjugal. É comum mulheres casadas falarem dos maridos. Geralmente conversam sobre suas manias, do que fizeram ou fazem em determinadas ocasiões, do que gostam ou não, a maioria, assuntos triviais.

Não era o caso desta conversa que me chamou a atenção.

A jovem senhora dizia para a outra que gostaria muito de voltar a amar o marido. Que já tentou várias vezes sem conseguir. Que antes o amava profundamente e o amor foi se indo com a indiferença dele, a falta de atenção, de consideração, de aconchego. As mágoas que ela tinha eram profundas porque muitas vezes precisou do aconchego dele, e este, lhe foi negado. Escutei aquelas palavras e fiquei profundamente condoída por reconhecer que esta é a dor sentida por muitas mulheres. Mulheres esquecidas por seus maridos! Não são reconquistadas!

Alguns homens, para não dizer a maioria, são tão alheios aos pequenos detalhes, às pequenas atenções, às palavras e gestos de apreciação, aos cuidados desinteressados e carinhosos que são verdadeiros brilhantes na reconquista diária! Fiquei relembrando o tempo em que os rapazes queriam me conquistar. Como eram cheios de amabilidade, traziam em seus olhares um brilho de sedução e o galanteio que o tempo do relacionamento vai corroendo. Isto porque se julga que o objeto de conquista foi alcançado. Mera ilusão. Precisamos diariamente conquistar e sermos conquistadas. Ninguém pertence ao outro se não passar por um processo constante de cativação. Só que os casais esquecem-se disso. Depois de 1, 5, 10, 20 anos de casados eles se perdem na caminhada. Alguns rompem os laços, outros, têm capacidade de recomeçar e ir se reconquistando com muito tempo perdido, e outros, vivem em um status irreconhecível. Não são mais solteiros, nem divorciados ou desquitados porque vivem debaixo do mesmo teto e partilham do social juntos, mas são desassociados, perderam a capacidade de cativação.

E eu fico pensando nisso com muita tristeza e tentando encontrar algumas causas dessa dissociação. Recordando os sentimentos da jovem senhora, o que pode ter faltado no seu relacionamento é o seu marido ter assumido o papel de cabeça do lar. Durante muito tempo essa expressão me incomodou sensivelmente. Pareceu-me que as esposas não possuíam pensamento próprio, capacidade de tomar decisões acertadas, necessitando do homem para fazê-las nos momentos cruciais da vida. Para minha alegria, o comentário da lição deste trimestre referente a Efésios 5:23 feito por Dr. Rodrigo P. Silva (CPB) trouxe uma nova luz a minha inquietação. Ele fala que o homem ser cabeça, não indica que ele é o chefe. “A razão do equívoco é que em muitos idiomas modernos o termo ‘cabeça’ passou a significar metaforicamente algo como ‘mentor’, ‘mandatário’, ‘chefia’. Em alguns momentos, o termo tornou-se pejorativo quando se refere, por exemplo, a ‘cabeça do bando’. Mas nas línguas bíblicas, o sentido de cabeça é mais voltada para as idéias de ‘origem’ e ‘providência’ ou ‘cuidado paternal’. E é este o sentido por trás de Efésios 5:23. Tanto o é que o ano novo (rosh há shaná) é chamado em hebraico de ‘cabeça do ano’, isto é, seu princípio. Assim, Paulo está dizendo que o marido é cabeça da mulher porque deve cuidar dela como Cristo cuida de sua igreja”.

 Bárbara Link

 

 

 

Publicado em: on Abril 15, 2008 at 11:54 am Deixe um comentário

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